Autismo, normalização e funcionalidade: uma crítica ao paradigma clínico e educacional a partir de Fernand Deligny 0 0
DOI:
https://doi.org/10.31792/Palavras-chave:
Autismo, Biopolítica, Fernand DelignyResumo
Este artigo analisa filosoficamente o paradigma clínico dominante no tratamento do autismo, centrado na adaptação às normas de comunicação e sociabilidade, tendo em vista a ideia do normal e do patológico e da biopolítica. A partir daí, argumenta-se que a noção de funcionalidade participa de um regime de normalização daqueles que não se ajustam ao ideal de autonomia comunicativa. Em contraposição, examina-se a experiência de Fernand Deligny com crianças autistas não verbais nas Cévennes, destacando sua crítica ao modo de abordar o autismo como déficit e sua proposta de uma abordagem baseada na presença próxima, na cartografia dos trajetos e na composição com o meio. Essa perspectiva permite compreender o autismo não verbal como um regime perceptivo singular e desloca a clínica da correção para a criação de condições de habitabilidade, abrindo espaço para uma ética e uma política da coexistência entre diferentes modos de vida.
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