Pedagogia deformadora para abrir o currículo ao acontecimento: metamorfoses e matérias do pensar na amazônia
Deforming pedagogy to open the curriculum to events: metamorphoses and subjects of thought in the Amazon
Resumo
O texto movimenta-se com a intercessora Sandra Mara Corazza (SMC), entre o currículo e suas metamorfoses, em composição com a amazônia, em sua multiplicidade de matérias, climas, sons, cores, afetos e memórias. Entre a escrileitura e a metodosofia, conceitos (des)corazzianos, aposta-se em uma cartografia que exige um olhar problematizador das vidarbos (vidas-obras) no campo de estudo. A análise dessas vidarbos realiza-se por intensidades, como uma análise menor e criadora, inscrita na Filosofia da Diferença, com Deleuze (e Guattari) e outros. Constata-se que a pedagogia deformadora de SMC, em diálogo com o currículo, transforma o plano infernal em uma oficina de criação, onde o currículo se derrete e se reinventa nas amazônias. Assim, as vidarbos de SMC contagiam o currículo e a amazônia com sua pedagogia deformadora: ao pensar com a floresta, com o rio, com os corpos; como um rizoma que corre entre margens, espalhando-se, ramificando-se e produzindo devires e encontros.
Palavras-chave: Currículo; amazônia; Vidarbo.
Abstract
The text moves with the intercessor Sandra Mara Corazza (SMC), between curriculum and its metamorphoses, in composition with Amazonian, in its multiplicity of materials, climates, sounds, colors, affections, and memories. Between escrileitura (writing-reading) and metodosophy, (de)Corazzian concepts, it embraces a cartography that demands a problematizing gaze upon the vidarbos (life-works) in the field of study. The analysis of these vidarbos unfolds through intensities, as a minor and creative analysis, inscribed in the Philosophy of Difference, with Deleuze (and Guattari) and others. It is observed that SMC’s deformative pedagogy, in dialogue with curriculum, transforms the infernal plane into a workshop of creation, where the curriculum melts and reinvents itself within the Amazons. Thus, SMC’s vidarbos infect the Amazonian and curriculum with her deformative pedagogy: thinking with the forest, with the river, with bodies; like a rhizome running between margins, spreading, branching, and producing becomings and encounters.
Palavras-chave: Curriculum; amazon; Vidarbo.
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