Confrontando a homofobia recreativa na caserna: uma narrativa autoetnográfica
Confronting recreational homophobia in the barracks: an autoethnographic narrative
Resumo
Essa pesquisa coloca em evidência a minha própria experiência como sujeito e autor, cujo objetivo central é o de narrar os casos de homofobia que sofri como policial assumidamente LGBT+ no quartel. A metodologia utilizada teve por base a autoetnografia como forma de perscrutar os casos de discriminação, fundamentada nas construções de Adams, Bochner e Ellis (2011), auxiliando na obtenção de dados para a pesquisa em um processo de resgate de histórias, rememoração de fatos e eventos, através da memória. Os aportes teóricos estão alicerçados nos escritos de Andrade (2017), Antunes (2017) e Foucault (1984, 1988, 2014). Por fim, percebeu-se que o recrudescimento da repressão sexual se dá através da negação da existência, como forma de legitimação da heterossexualidade compulsória (Butler, 2003) através da prática da homofobia recreativa e do poder que disciplina os corpos dos sujeitos de desejo.
Palavras-chave: Homofobia recreativa; Cultura militarista; Autoetnografia.
Abstract
This research highlights my own experience as a subject and author, whose central objective is to narrate the homofobia cases that I’ve suffered as an openly LGBT+ police officer in the barracks. The used methodology was based on autoethnography as a way of examining discrimination episodes, based on the constructions of Adams, Bochner and Ellis (2011), helping to obtain data for research in a process of recovering stories and remembering facts and events, through memory. Theoretical suports are based on the writings of Andrade (2017), Antunes (2017) and Foucault (1984, 1988, 2014). Finally, we can see that the resurgence of sexual repression occurs through the denial of existence, as a way of legitimizing compulsory heterosexuality (Butler, 2003) through the practice of recreational homophobia and the power that disciplines the bodies of subjects of desire.
Keywords: Recreational homophobia; Militaristic culture; Autoethnography.
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Referências
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