ROTACISMO EM CONTEXTO ESCOLAR AMAZÔNICO: UMA ANÁLISE VARIACIONISTA EM MOJU (PA) 0 0
DOI:
https://doi.org/10.69675/RCU.2763-7646.11522Palavras-chave:
Sociolinguística variacionista, Rotacismo, Continuum rural-urbano, Monitoramento estilístico, Ensino de língua portuguesaResumo
Este artigo analisa a ocorrência do rotacismo, substituição da lateral alveolar /l/ pela vibrante /r/ em encontros consonantais do tipo CCV, em produções orais e escritas de alunos do 6º ano do Ensino Fundamental no município de Moju (PA), discutindo sua distribuição segundo variáveis sociais e suas implicações para o ensino de Língua Portuguesa. Fundamentado na Sociolinguística Variacionista (Labov, 2008) e no modelo do continuum rural-urbano (Bortoni-Ricardo, 2004), o estudo adotou abordagem mista, com aplicação de questionário sociolinguístico e ditado visual composto por nove itens lexicais, em duas modalidades: nomeação oral e registro escrito. Os resultados evidenciam distribuição assimétrica do fenômeno: na oralidade, registraram-se 3 ocorrências na zona urbana e 7 na zona rural; na escrita, identificaram-se 4 ocorrências na zona urbana e 5 na zona rural. Além disso, observou-se retração relativa do rotacismo na escrita, interpretada como efeito do monitoramento estilístico, bem como distribuição sensível ao cruzamento entre zona de residência e gênero. No plano avaliativo, 80% dos participantes classificaram o fenômeno como inadequado em contexto escolar, com rejeição unânime na zona urbana. Conclui-se que o rotacismo, embora de baixa frequência absoluta, organiza-se como regra variável socialmente condicionada e como estereótipo linguístico, o que evidencia a necessidade de práticas pedagógicas que reconheçam a variação como componente constitutivo do português brasileiro.
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Referências
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