Quem festeja também educa: reflexões sobre uma pedagogia da festa

Those who celebrate also educate: reflections on a party pedagogy

Autores

  • Fernanda Nílvea Pompeu Varela Universidade Federal do Pará
  • Benedita Celeste de Moraes Pinto Universidade Federal do Pará https://orcid.org/0000-0001-9450-5461
  • Flávio Bezerra Barros Universidade Federal do Pará

Resumo

O carapajoara aprende e transforma pela festa, por uma cultura denominada pedagogia festiva, categoria que se atrela a um saber tradicional fruto da produção de significados dos pretos e pretas viventes na vila de Carapajó/Cametá-Pará. Dessa forma, busca-se com este artigo analisar a luta por espaços, bem como compreender o valioso processo de resistência dos atores envolvidos. Sendo assim, questiona-se de que forma a sobrevivência da cultura, das memórias, das práticas e das narrativas orais está diretamente relacionada aos conhecimentos que são produzidos historicamente acerca da festa, do dançar, do rezar. A partir disso, concentramo-nos nos aportes de AMARAL (1988); BRANDÃO (2020); PESSOA (2005); ORLANDI (1999); PINTO (2007); RIBEIRO JÚNIOR (1982) com vistas a discutir a herança de uma ancestralidade preta que se mistura à realidade da Amazônia Tocantina. Através da análise dos discursos dos sujeitos locais, vislumbra-se o que se ensina e se aprende nas condutas do festejar como parte da memória cotidiana e da luta implementadas nos campos social, cultural, político e ideológico dos carapajoaras.

Palavras-chave:  Pedagogia; Festa; Preto.

 

Abstract

The carapajoara learns and transforms through the party, through a culture called festive pedagogy, a category that is linked to a traditional knowledge resulting from the production of meanings of blacks living in the village of Carapajó, Cametá municipality, Pará State. Thus, this article seeks to analyze the struggle for spaces, as well as to understand the valuable resistance process of the actors involved. Thus, it is questioned how the survival of culture, memories, practices and oral narratives is directly related to the knowledge that is produced historically about the party, dancing, praying. From this, we focus on the contributions of AMARAL (1988); BRANDÃO (2020); PERSON (2005); ORLANDI (1999); PINTO (2007); RIBEIRO JÚNIOR (1982) with a view to discussing the heritage of a black ancestry that mixes with the reality of the Tocantina Amazon. Through the analysis of the speeches of the local subjects, it is possible to glimpse what is taught and learned in the conduct of celebrating as part of the daily memory and struggle implemented in the social, cultural, political and ideological fields of Carapajoaras.

Keywords: Pedagogy; Party; Black.

 

Biografia do Autor

Fernanda Nílvea Pompeu Varela, Universidade Federal do Pará

Professora de Língua Portuguesa nas séries finais do Ensino Fundamental, município de Cametá/PA. Mestra em Educação e Cultura pelo Programa de Pós- Graduação em Educação e Cultura (PPGEDUC) da UFPA-Campus Universitário do Tocantins, Cametá/PA. Integrante da pesquisa “História, Educação, Cultura e Saberes Afro- Indígenas na região Amazônica e dos Grupos de Pesquisa do CNPq: História, Educação e Linguagem na Região Amazônica (HELRA) & Quilombos e Mocambeiros: história da resistência negra na Amazônia (QUIMOHRENA).  Possui Licenciatura Plena em Letras com habilitação em Língua Portuguesa-UFPA (2008), é graduada Plena em Ciências Naturais com Habilitação em Biologia-UEPA (2012). Especialista em: Literatura e Leitura-UFPA (2011), Gestão e Supervisão Escolar-UNINTER (2012) e formação complementar em Escolas Sustentáveis e Com-vida-UF (2012). E-mail: nilcameta@yahoo.com.br Orcid: https://orcid.org/0000-0002-3282-0359

Benedita Celeste de Moraes Pinto, Universidade Federal do Pará

Doutora em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) - Brasil.  Docente da Universidade Federal do Pará, Campus Universitário do Tocantins/UFPA-Cametá, Pará, Brasil. Integrante do Programa Nacional de Cooperação Acadêmica na Amazônia PROCAD-AM (UFPA/PPGEDUC-UFMT/PPGE-UFAM/PPGE): Políticas Educacionais, linguagens e práticas culturais na Amazônia. É Líder dos Grupos de Pesquisa do CNPq: História, Educação e Linguagem na Região Amazônica (HELRA) & Quilombos e Mocambeiros: história da resistência negra na Amazônia (QUIMOHRENA). É coordenadora da pesquisa “História, Educação, Cultura e Saberes Afro-indígenas na região Amazônica. Pesquisadora na área de conhecimento História Social e Cultural da Amazônia, atuando nos temas: história, educação, povoações quilombolas e indígenas, cultura popular, resistência negra, escravidão, racismo, memória, oralidade, gênero, saberes tradicionais, religiosidade e inclusão educacional. E-mail: celestepinto@ufpa.br  Orcid:  https://orcid.org/0000-0001-9450-5461

 

Flávio Bezerra Barros, Universidade Federal do Pará

Doutor em Biologia da Conservação pela Universidade de Lisboa, Portugal. Professor associado do Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares (INEAF) da UFPA. Atua como docente-pesquisador nos Programas de Pós-Graduação em Agriculturas Amazônicas (INEAF-UFPA) e Antropologia (IFCH-UFPA). Participa ainda como professor permanente no Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT). Lidera o grupo de pesquisa do CNPq “Biodiversidade, Sociedade e Educação na Amazônia” (BioSE/CNPq). Coordena o projeto de pesquisa “Comida de quilombo no Brasil: saberes, práticas alimentares e experiências em contextos do Sul, Centro-Oeste e Norte, financiado pelo CNPq/MCTI. Atualmente é presidente da Sociedade Brasileira de Etnobiologia e Etnoecologia (SBEE) e bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq. E-mail: flaviobb@ufpa.br  Orcid: https://orcid.org/0000-0002-6155-0511

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Publicado

01/05/2021

Edição

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Artigos