A ciência do brincar ao ar livre Uma pesquisa com profissionais de educação infantil

The science of outdoor play: A study with early childhood education professionals

Autores

Resumo

O confinamento de crianças em ambientes artificiais ocorre por até 10 horas diárias, privando-as do brincar ao ar livre o que afeta o neurodesenvolvimento infantil. O objetivo desse estudo foi levantar as concepções de educadores infantis sobre o tema, o espaço e o tempo das crianças na creche, e promover um curso sobre os benefícios desse brincar. Pesquisa exploratória, abordagem qualitativa, análise de dados por tematização de Fontoura. Instrumentos de coleta de dados: questionário online, registro no padlet e observação-participante. Amostra composta por 76 educadoras do estado do Rio de Janeiro. Os resultados revelaram que 28% das creches não possuem área verde, 27% possuem grama sintética, 88% das crianças brincam até duas horas por dia ao ar livre. Os registros demostraram que o curso contribuiu para o desemparedamento de 2.500 crianças.

Palavras-chave: Brincar ar livre; Educação infantil; Desemparedamento.

 Abstract                                                                                                                                                                                             The confinement of children in artificial environments occurs for up to 10 hours per day, depriving them of outdoor play, which affects their neurodevelopment. The objective of this study was to gather the perceptions of early childhood educators on this topic, as well as the space and time allotted to children in daycare, and to promote a course on the benefits of outdoor play. This is an exploratory, qualitative study that conducts data analysis through thematic categorization. The data collection instruments used included an online questionnaire, records made using the Padlet tool, and participant observation. The sample consisted of 76 educators from the state of Rio de Janeiro. The results revealed that 28% of daycare centers do not have green spaces, 27% have synthetic grass, and 88% of children play outdoors for up to two hours per day. The records showed that the course contributed to promoting outdoor experiences over 2,500 children.

Keywords: Outdoor play; Early childhood education; Deconfinement.

 

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Biografia do Autor

Mônica Maria Souza Oliveira, Instituto Oswaldo Cruz

Doutoranda em Ensino em Biociências e Saúde pelo Instituto Oswaldo Cruz (FIOCRUZ, RJ), Mestre em Educação, Gestão e Difusão em Biociências pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Especialista em Neurociências Aplicada à Aprendizagem (UFRJ), graduada em Comunicação Social e Pedagogia. Docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFRJ-Campus Mesquita) e da UFRJ. Integrante do Grupo de Pesquisa Infâncias, Tradições Ancestrais e Cultura Ambiental (GiTaKa) e do Núcleo Infâncias, Natureza e Artes/NINA/UNIRIO. Idealizadora @institutoconexaonatureza. Ganhadora do Prêmio Ciência pela Primeira Infância 2024 – Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI).

Michele Waltz Comarú, Instituto Oswaldo Cruz

Doutora em Ciências pelo Programa de Pós-graduação em Ensino em Biociências e Saúde do Instituto Oswaldo Cruz - Fiocruz/RJ (2012) - sanduíche na Universidad Autónoma de Madrid (Espanha), mestre em Química Biológica (2002) e graduada em Farmácia (2000) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Pós-doutoramento (2019/2020) no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa (Portugal). Professora e pesquisadora na área de Ensino do Instituto Federal do Rio de Janeiro – IFRJ e do Instituto Oswaldo Cruz. É editora-chefe da revista Educação Profissional e Tecnológica em Revista.

Maria de Fátima Alves de Oliveira, Instituto Oswaldo Cruz

Doutora pelo Instituto Oswaldo Cruz (FIOCRUZ, RJ), Mestre em Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Professora de Ciências da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (Aposentada). Docente do Programa de Pós-graduação em Ensino em Biociências e Saúde (PPGEBS, FIOCRUZ/RJ). Experiência na área de Educação, Ensino de Ciências, Meio Ambiente e Biologia.

Lea Tiriba, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

Doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro/PUC-Rio e Pós-doutora em Educação, Contextos Contemporâneos e Demandas Populares (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro/PPGEduc). Professora da graduação e pós-graduação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), coordenadora do Grupo de Pesquisa Infâncias, Tradições Ancestrais e Cultura Ambiental (GiTaKa) e do Núcleo Infâncias, Natureza e Artes/NINA/UNIRIO. 

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Publicado

12/11/2025

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Como Citar

OLIVEIRA, M. M. S.; COMARÚ, M. W.; OLIVEIRA, M. de F. A. de; TIRIBA, L. A ciência do brincar ao ar livre Uma pesquisa com profissionais de educação infantil : The science of outdoor play: A study with early childhood education professionals . Revista Cocar, [S. l.], v. 23, n. 41, 2025. Disponível em: https://periodicos.uepa.br/index.php/cocar/article/view/9776. Acesso em: 3 mar. 2026.