Conhecimentos ecológicos tradicionais como um caminho para o Bem Viver (Buen Vivir): potencialidades pedagógicas de perspectivas ecocêntricas em trilhas em Unidades de Conservação no território de Carajás
Conocimientos ecológicos tradicionales como un camino para el Buen Vivir (Buen Vivir): potencialidades pedagógicas de perspectivas ecocéntricas en senderos en Unidades de Conservación en el territorio de Carajás
Palavras-chave:
éducation à l'environnement, buen vivir, savoirs écologiques traditionnelsResumo
Para compreender o potencial pedagógico de uma trilha interpretativa em Carajás (PA), analisamos o lugar atribuído à natureza no texto de 11 placas. Interações humano-natureza foram 3,7 vezes mais frequentes que abordagens da natureza isolada. Predominou a dimensão científica (n = 9), de caráter descritivo. Identificaram-se três posturas: natureza como objeto de descrição, inserida em relações de dominação e agente em perspectivas ecocêntricas, sendo a primeira mais recorrente. A presença de conhecimentos ecológicos tradicionais, etnobotânica e referências à natureza como sujeito amplia o alcance pedagógico da sinalização, que atua como mediadora de experiências educativas e de produção de sentidos sobre o território e a sociobiodiversidade.
Palavras-chave: Educação Ambiental; Buen Vivir; Conhecimentos Ecológicos Tradicionais.
Resumen
Para comprender el potencial pedagógico de un sendero interpretativo en Carajás (PA), analizamos el lugar atribuido a la naturaleza en el texto de 11 paneles. Las interacciones humano-naturaleza fueron 3,7 veces más frecuentes que los enfoques de la naturaleza aislada. Predominó la dimensión científica (n = 9), de carácter descriptivo. Se identificaron tres posturas: la naturaleza como objeto de descripción, inserta en relaciones de dominación y agente en perspectivas ecocéntricas, siendo la primera la más recurrente. La presencia de conocimientos ecológicos tradicionales, etnobotánica y referencias a la naturaleza como sujeto amplía el alcance pedagógico de la señalización, que actúa como mediadora de experiencias educativas y de producción de sentidos sobre el territorio y la sociobiodiversidad..
Palabras clave: Educación Ambiental; Buen Vivir; Conocimientos Ecológicos Tradicionales.
Downloads
Referências
ACOSTA, Alberto. El buen vivir, una utopía por (re) construir. Revista Casa de las Américas, (257), p. 33-46, abr./jun. 2010.
ACOSTA, Alberto. El Buen Vivir, una propuesta con potencialidad global. Revista de Investigaciones Altoandinas, v. 18, n. 2, p. 135-142, abr./jun. 2016.
ALENCAR, Ane; SILVESTRINI, Rafaella; GOMES, Jarlene; SAVIAN, Gabriela. Amazônia em chamas: o novo e alarmante patamar do desmatamento na Amazônia. IPAM Amazônia, 2022. Disponível em: https://ipam.org.br/wp-content/uploads/2022/02/Amaz%C3%B4nia-em-Chamas-9-pt_vers%C3%A3o-final-2.pdf. Acesso em: 2 jun. 2023.
ALTIERI, Miguel. Agroecologia, agricultura camponesa e soberania alimentar. Revista Nera, v. 13, n. 16, p. 22-32, jan./jun. 2012.
ANDRADE DA SILVA, Carolina; FIGUEIREDO, Tainá; BOZELLI, Reinaldo; FREIRE, Laísa. Marcos de teorías poscríticas para repensar la investigación en educación ambiental: la experiencia estética y la subjetividad en la formación de profesores y educadores ambientales. Pensamiento Educativo, v. 57, n. 2, p. 1-17, out. 2020.
ANDRADE DA SILVA, Carolina et al. Em busca de uma ética do viver: narrativas de professores e educadores ambientais em experiências didáticas em uma trilha interpretativa na Amazônia. In: CONGRESO INTERNACIONAL SOBRE FORMACIÓN DE PROFESORES DE CIENCIAS, 9., 2021, Bogotá. Memorias del IX Congreso Internacional sobre Formación de Profesores de Ciencias. Bogotá: Tecné, Episteme y Didaxis: TED, 2021. p. 1-9.
ANDRADE DA SILVA, Carolina et al. Escritas e traçados de experiências na Amazônia: contribuições para formação de educadores ambientais. Revista Sergipana de Educação Ambiental, v. 10, p. 1-17, jun./out. 2023.
ARAÚJO, Fábio; LOPES, Maria. Diversity of use and local knowledge of palms (Arecaceae) in eastern Amazonia. Biodiversity and Conservation, v. 21, n. 2, p. 487-501, dez. 2012.
ARENAS, Alberto; DEL CAIRO, Carlos. Etnobotánica, modernidad y pedagogía crítica del lugar. Utopía y Praxis Latinoamericana, v. 14, n. 44, p. 69-83, mar. 2009.
BALCH, Oliver. Buen vivir: the social philosophy inspiring movements in South America. The Guardian, 2013. Disponível em: https://www.theguardian.com/sustainable-business/blog/buen-vivir-philosophy-south-america-eduardo-gudynas. Acesso em: 2 jun. 2023.
BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1977.
BERKES, Fikret. Role and significance of tradition in indigenous knowledge: Focus on traditional ecological knowledge. Indigenous Knowledge and Development Monitor, v. 7, n. 1, p. 19, mar. 1999.
BORSATTO, Ricardo; CARMO, Maristela. A construção do discurso agroecológico no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Revista de Economia e Sociologia Rural, v. 51, n. 4, p. 645-660, dez. 2013.
DE MOURA OLIVEIRA, Mara; DA SILVA, Josivaldo; DA SILVA, Maria; GUTJAHR, Ana. Trilha interpretativa como instrumento da pedagogia da natureza na formação de professores da educação infantil, Parauapebas (PA). Revista Brasileira de Educação Ambiental, v. 17, n. 6, p. 365-380, dez. 2022.
DE OLIVEIRA, Sérgio. Paisagismo e as centralidades urbanas. Paisagem e Ambiente, n. 20, p. 61-83, jun. 2005.
DE SOUZA, Vanusa et al. Trilhas interpretativas como instrumento de educação ambiental. Ensino, Saúde e Ambiente, v. 5, n. 2, p. 294-304, ago. 2012.
ECUADOR. Constitución de la República del Ecuador de 2008. Quito: Asamblea Nacional Constituyente, 2008.
FERREIRA, Josué; HILGEMBERG, Tatiane. Movimento indígena e descaso da saúde Yanomami na Amazônia: análise sobre a falta de assistência do governo federal e as consequências do garimpo em reportagem do G1 Roraima. Trayectorias Humanas Trascontinentales, n. esp. 9, p. 1-26, dez. 2022.
GARUBA, Harry. On animism, modernity/colonialism, and the African order of knowledge: provisional reflections. In: Lesley Green (org.). Contested ecologies: dialogues in the South on nature and knowledge. Cape Town: HSRC Press, 2013. p. 42-51.
GAUDIANO, Edgar. Otra lectura a la historia de la educación ambiental en América Latina y el Caribe. Desenvolvimento e Meio Ambiente, v. 3, p. 141-158, jan./jun. 2001.
GÓMEZ-BAGGETHUN, Erik. Perspectivas del conocimiento ecológico local ante el proceso de globalización. Papeles de Relaciones Ecosociales y Cambio Global, n. 107, p. 57-67, 2009.
GREGOR BARIÉ, Cletus. Nuevas narrativas constitucionales en Bolivia y Ecuador: el buen vivir y los derechos de la naturaleza. Latinoamérica. Revista de Estudios Latinoamericanos, v. 2014, n. 59, p. 9-40, jan. 2014.
GUDYNAS, Eduardo. La dimensión ecológica del buen vivir: entre el fantasma de la modernidad y el desafío biocéntrico. OBETS: Revista de Ciencias Sociales, n. 4, p. 49-54, dez. 2009.
GUIMARÃES, Mauro. Educação ambiental crítica. In: Philippe Pomier Layrargues (coord.). Identidades da Educação Ambiental Brasileira. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2004. p. 25-34.
HICKS, David. Ritual and belief: readings in the anthropology of religion. Lanham: AltaMira Press, 2010.
HUAMBACHANO, Mariaelena. Enacting food sovereignty in Aotearoa New Zealand and Peru: Revitalizing Indigenous knowledge, food practices and ecological philosophies. Agroecology and Sustainable Food Systems, v. 42, n. 9, p. 1003-1028, mai. 2018.
IARED, Valéria; HOFSTATTER, Lakshmi; TULLIO, Ariane; OLIVEIRA, Haydée. Educação Ambiental Pós-Crítica como Possibilidade para Práticas Educativas Mais Sensíveis. Educação & Realidade, v. 46, n. 3, p. 1-23, jul. 2021.
IGNATOV, Anatoli. The earth as a gift-giving ancestor: Nietzsche’s perspectivism and African animism. Political Theory, v. 45, n. 1, p. 52-75, fev. 2017.
INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE (ICMBio). Manual de sinalização de trilhas. Brasília: ICMBio, 2018. Disponível em: https://smastr16.blob.core.windows.net/fundacaoflorestal/sites/243/2021/10/anexo-i.27-manual-de-sinalizacao-de-trilhas-icmbio-2018.pdf. Acesso em: 2 jun. 2023.
INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO E BIODIVERSIDADE (ICMBio). Placa “Usos e características da Paxiúba”. Trilha Lagoa da Mata, Floresta Nacional de Carajás, Parauapebas-PA. 2021a. Placa interpretativa em madeira.
INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO E BIODIVERSIDADE (ICMBio). Placa “Pertencimento”. Trilha Lagoa da Mata, Floresta Nacional de Carajás, Parauapebas-PA. 2021b. Placa interpretativa em madeira.
JANECZKO, Emilia; WOJTAN, Rafał; KORCZ, Natalia; WOŹNICKA, Małgorzata. Interpretative signs as a tool supporting informal environmental education on the example of Warsaw’s Urban Forests. Forests, v. 12, n. 8, p. 1-11, ago. 2021.
JANSEN, Jainara et al. Monitoramento e gestão de impactos da visitação pública em unidades de conservação na Amazônia Oriental. Conjecturas, v. 22, n. 5, p. 658-667, mai. 2022.
JOHNSON, Martha. Lore: Capturing traditional environmental knowledge. Ottawa: International Development Research Centre; Yellowknife: Dene Cultural Institute, 1992.
KIMMERER, Robin. Searching for synergy: Integrating traditional and scientific ecological knowledge in environmental science education. Journal of Environmental Studies and Sciences, v. 2, n. 4, p. 317-323, nov. 2012.
LAVALLÉE, Lynn. Practical application of an Indigenous research framework and two qualitative Indigenous research methods: Sharing circles and Anishnaabe symbol-based reflection. International Journal of Qualitative Methods, v. 8, n. 1, p. 21-40, mar. 2009.
LONGO, Gabriela; JÚNIOR, Airton. Etnoconhecimento e Educação Ambiental: um mapeamento de artigos em periódicos nacionais. REMEA – Revista Eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental, v. 39, n. 1, p. 27-48, abr. 2022.
LI, Jing; HAN, Feng. Strong ethics and flexible actions, the properties of traditional ecological knowledge (TEK), as key resources for socioecological resilience to the impacts of climate change: a case study of Baojiatun, Yunnan-Guizhou Plateau karst area, southwest China. Ecology and Society, v. 27, n. 4, p-1-13, dez. 2022.
LIMA, Heleno; ALVES, Cláudio. Signal Diagnosis on Tourist Trails: MINDU/MANAUS/AM Municipal Park. Journal of Engineering and Technology for Industrial Applications, v. 2, n. 8, p. 65-75, dez. 2016.
MALDONADO, Ana. El buen vivir como contrahegemonía en la Constitución ecuatoriana. Utopía y Praxis Latinoamericana, v. 16, n. 53, p. 59-70, abr./jun. 2011.
MARINHO, Aline; BICHARA, Cléa; PONTES, Altem. Práticas de Educação Ambiental na microrregião de Parauapebas (PA). Revista Brasileira de Educação Ambiental (RevBEA), v. 15, n. 3, p. 246-257, jun. 2020.
MERINO, Roger. An alternative to ‘alternative development’?: Buen vivir and human development in Andean countries. Oxford Development Studies, v. 44, n. 3, p. 271-286, jul. 2016.
MERINO, Roger. Buen vivir and the Making of Indigenous Territories in the Peruvian Amazon. Latin American Perspectives, v. 48, n. 3, p. 136-151, mai. 2021.
NESTEROVA, Yulia. Rethinking environmental education with the help of indigenous ways of knowing and traditional ecological knowledge. Journal of Philosophy of Education, v. 54, n. 4, p. 1047-1052, set. 2020.
PAYNE, Phillip et al. Affectivity in environmental education research. Pesquisa em Educação Ambiental, v. 13, n. esp., p. 93-114, mai. 2018.
PEREIRA, Suellen; CURI, Rosires. Meio ambiente, impacto ambiental e desenvolvimento sustentável: conceituações teóricas sobre o despertar da consciência ambiental. REUNIR – Revista de Administração, Contabilidade e Sustentabilidade, v. 2, n. 4, p. 35-57, dez. 2012.
PIERONI, Andrea; QUAVE, Cassandra. Ethnobotany and biocultural diversities in the Balkans: perspectives on sustainable rural development and reconciliation. New York: Springer, 2014.
QUIGLEY, Cassie. Globalization and Science Education: The Implications for Indigenous Knowledge Systems. International Education Studies, v. 2, n. 1, p. 76-88, fev. 2009.
REYES-GARCÍA, Victoria. Conocimiento ecológico tradicional para la conservación: dinámicas y conflictos. Papeles, v. 107, n. 1, p. 39-55, jan. 2009.
ROWE, Stan. Ecocentrism and traditional ecological knowledge. Ecospherics Ethics, 1994. Disponível em: http://www.ecospherics.net/pages/Ro993tek_1.html?i=1. Acesso em: 2 jun. 2023.
SCARANO, Fabio et al. Para além dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável: desafios para o Brasil. Bio Diverso, v. 1, n. 1, p. 1-19, dez. 2021.
SCHMIDT, Ulrik. Ambience and ubiquity. In: Ulrik Ekman (org.). Throughout: Art and culture emerging with ubiquitous computing. Cambridge: MIT Press, 2012. p. 175-187.
SILVA, Lorena; HENNING, Paula. A Educação Ambiental e sua produção científica: um olhar para as diferenças. Perspectiva, v. 36, n. 3, p. 978-991, jul./set. 2018.
SOARES, Beatriz et al. Jogo “Vida na Lagoa da Mata”: entrelaçando ensino de ciências e divulgação científica na Floresta Nacional de Carajás (PA). In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS, 13., 2021. Anais do XIII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências. Campina Grande: Realize, 2021. p. 1-9.
SØNDERGAARD, Frank. Forest recreation. In: Marjatta Hytönen (org.). Multiple-use forestry in the Nordic countries. Vantaa: Metsäntutkimuslaitos, 1995. p. 245-278
TAYLOR, Bron et al. The need for ecocentrism in biodiversity conservation. Conservation Biology, v. 34, n. 5, p. 1089-1096, out. 2020.
TOMAZ, Rômulo. Animismo, perspectivismo e xamanismo: o despertar do sono da colonialidade e o multiverso indígena. 2022. 147 f. Dissertação (Mestrado em Metafísica) – Programa de Pós-Graduação em Metafísica, Universidade de Brasília, Brasília, DF, 2022.
TURNER, Nancy; TURNER, Katherine. “Where our women used to get the food”: cumulative effects and loss of ethnobotanical knowledge and practice; case study from coastal British Columbia. Botany, v. 86, n. 2, p. 103-115, fev. 2008.
WALSH, Catherine. Development as Buen Vivir: Institutional arrangements and (de) colonial entanglements. Development, v. 53, n. 1, p. 15-21, mar. 2010.
Downloads
Publicado
Métricas
Visualizações do artigo: 0 PDF downloads: 0




















