O pensamento feminista negro e as opressões interseccionais: marcas da violência na memória de mulheres negras em ascensão social
Black feminist thought and intersectional oppressions: marks of violence in the memory of black women on the rise
Palavras-chave:
feminismo negro, interseccionalidade, escrevivênciaResumo
Este artigo apresenta um recorte analítico da tese de doutorado da autora, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado do Pará. A pesquisa tem como objetivo compreender como mulheres negras em processo de mobilidade social constroem sentidos para as violências vividas ao longo de suas trajetórias, mesmo após conquistas educacionais e profissionais. A investigação se ancora nas epistemologias feministas negras, mobilizando a escrevivência — conceito proposto por Conceição Evaristo — como método, linguagem e forma de escuta insurgente. Foram analisadas narrativas de seis mulheres negras que, a partir de suas próprias histórias, denunciam os atravessamentos interseccionais de raça, gênero e classe que marcam a experiência da ascensão social. A metodologia adotada é qualitativa, com base em entrevistas abertas e escuta implicada. Os resultados indicam que a mobilidade social não elimina as violências simbólicas e estruturais, mas demanda estratégias permanentes de resistência, reinvenção e afirmação subjetiva. A pesquisa reafirma a urgência de descolonizar a produção do conhecimento e reconhecer as vozes negras como centrais na elaboração de epistemologias situadas.
Palavras-chave: Feminismo negro; Interseccionalidade; Escrevivência.
Abstract
This article presents an analytical excerpt from the author's doctoral dissertation, developed within the Graduate Program in Education at the State University of Pará (UEPA). The research aims to understand how Black women undergoing social mobility construct meanings around the violence experienced throughout their trajectories, even after achieving educational and professional advancements. Grounded in Black feminist epistemologies, the study adopts escrevivência—a concept proposed by Conceição Evaristo—as a method, language, and form of insurgent listening. Narratives from six Black women were analyzed, revealing how their life stories denounce the intersectional oppressions of race, gender, and class embedded in their paths. A qualitative methodology was used, based on open interviews and implicated listening. The findings show that social mobility does not neutralize structural and symbolic violence; rather, it demands constant strategies of resistance, reinvention, and subjective affirmation. The research reinforces the urgency of decolonizing knowledge production and recognizing Black voices as central to the development of situated epistemologies.
Keywords: Black feminism; Intersectionality; Escrevivência (Writing-living).
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