No encanto da água doce: uma lição de preservação das raízes, memórias e cultura de um povo

Autores

  • Shirley Cristina Amador Barbosa shirleyamador@hotmail.com
    Universidade do Estado do Pará

Resumo

Na Amazônia os quilombos se formam no decorrer do século XIX, em especial no Baixo Amazonas, sua permanência se concretizou nas comunidades negras rurais, estabelecidas as margens dos rios, entre estas o Pacoval,se destaca por sua história de luta e resistência. O presente texto pretende relatar histórias narradas e vivenciadas no encontro denominado 30 anos de Raízes Negras– Memória e Compromisso do Povo Negro realizado em julho de 2018 na comunidade quilombola do Pacoval que fica localizada à margem direita do rio Curuá, no Município de Alenquer. E assim registrar aspectos significativos da cultura e identidade desse quilombo -“onde tudo começou"- no dizer da comunidade, compreensão que se constitui a partir de um passado de luta e resistência que desvela o poder da memória, do misticismo e o do saber popular que envolve esse território e o coloca como um lugar de reafirmação de experiências históricas que entrelaçam passado,presente e futuro.Como ponto de partida para as reflexões, destacamos, vivências particulares com a encantaria para narrarmos poiéticas quilombolas que se entrelaçam com a cosmovisão do povo negro da Amazônia Tapajônica que resiste a colonialidade e aponta para uma “outra” maneira de ver,de ser e de pensar o mundo e assim propicia aprendizados “outros” que estão para além da academia. Diante disso, retomamos a fala de Benedicto Monteiro quando esse se refere ao Pacoval “ a terra e a sua gente, é um amor, um orgulho e uma honra para todos nós aprendermos a lição de preservar com amor, as raízes e a memória dessa terra e do seu povo.Nessa perspectiva estabelece-se um diálogo entre a poiéses do mito encantando e os saberes populares de um contexto especifíco e tradicional e a partir dessas considerações esperamos visibilizar e ampliar as discussões a cerca das cosmovisões, tradições e identidades de comunidades quilombolas na região do Tapajós, haja vista que a presença negra nessa região foi relevante nesse contexto, fazendo com que as marcas e as contribuições desse povo sejam reconhecidas e valorizadas.

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Publicado

14/09/2023
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