Grand Guignol de Papel: Cultura Midiática e Cultura das Bordas nos Faits-Divers 167 142
Resumo
Notícias de teor sensacionalista são familiares de gerações de leitores. Esse Théâtre du Grand Guignol de papel vem de tempos imemoriais. Foi pesquisando tais narrativas em jornais e revistas brasileiros da passagem dos séculos XIX ao XX e se perguntando qual seu lugar na economia dos periódicos impressos, que o conceito de “cultura das bordas” de Jerusa Pires Ferreira veio se juntar a outras referências para o desenvolvimento do trabalho. A definição de cultura das bordas para aquela produção impressa que não se definia pelos ditames do cânone, tampouco do folclore, caía muito bem para o fait divers que também dialogava com a cultura tradicional, mas já respondia à lógica da cultura midiática moderna. Este artigo tem como objetivo trazer à tona algumas das problemáticas relativas à análise dessas aparentemente insignificantes narrativas que são os faits divers e destacar como a obra da autora foi precursora dos estudos da cultura midiática no Brasil.